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APUB02 de outubro de 2018

Painel reafirma princípios da CRES 2018 e aponta desafios do continente

Reitores de universidades públicas do Brasil e gestores do ensino superior da América Latina e Caribe participaram do Painel ‘A Educação Superior no Pós-CRES 2018’ nesta terça-feira, 25, no Centro Cultural da UFRGS. O objetivo do evento promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pela Associação Brasileira dos Reitores

APUB SindicatoPublicado em 02 de outubro de 2018
Painel reafirma princípios da CRES 2018 e aponta desafios do continente

Reitores de universidades públicas do Brasil e gestores do ensino superior da América Latina e Caribe participaram do Painel ‘A Educação Superior no Pós-CRES 2018’ nesta terça-feira, 25, no Centro Cultural da UFRGS. O objetivo do evento promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pela Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM) e pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF), com o apoio da UFRGS, foi debater os desafios colocados pela III Conferência Regional da Educação Superior (CRES 2018), realizada em Córdoba, Argentina, em junho.

A principal conclusão do painel foi reforçar que a declaração final da CRES 2018, um manifesto que aponta a Educação Superior como um bem público social, um direito humano e universal, e um dever dos Estados, seja refletido fielmente no plano de ação para a educação superior nos próximos dez anos, como proposta do continente para a Conferência Mundial de Educação que será realiza em Paris em 2019.

A IESALC/Unesco (instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe) está responsável pela articulação entre os países e os diferentes atores para a elaboração do plano. Mas, segundo o reitor da UFRGS, Rui Vicente Oppermann, ficou claro no evento, que os gestores brasileiros e também os estrangeiros estão preocupados com possíveis alterações na declaração final, o que poderia se refletir no plano de ação. “A declaração foi construída democraticamente, com a participação de milhares de pessoas, com muitas horas de trabalho, é portanto, um documento importantíssimo. Queremos que ele seja mantido integralmente porque foi construído com muito cuidado”.

O próprio coordenador da CRES 2018 e ex-reitor de Córdoba, Francisco Tamarit, se manifestou neste sentido, sugerindo que a participação construída na CRES se mantenha na elaboração do plano de ações. “O texto final é um texto que vocês (setores da educação superior do continente) falam o que fazer. O plano de ação tem que ser feito cooperativamente, com a participação de quem tem a responsabilidade, temos tempo de ser inclusivos como fomos até aqui.”

Nesse sentido, o painel resultou na Carta de Porto Alegre, documento que ainda será enviado às associações nacionais, IESALC e demais entidades latino-americanas, mas que se posiciona defendendo os princípios da CRES e a construção do plano de ações de forma democrática e participativa, representando o que foi a conferência.

“Nós precisamos participar desse plano para que possamos garantir que o que está no documento da CRES seja o condutor das políticas educacionais na América Latina e Caribe, tanto para as universidades como para os governos. Sem um plano de ações que seja construído de forma democrática, estaríamos perdendo todo o trabalho que a gente fez em Córdoba e ao longo do processo de construção do documento”, afirmou Oppermann.

Articulação

A CRES também redefiniu o ambiente de articulação dos sistemas educativos do continente. O Enlaces (Espaço Latino-americano e Caribenho de Educação Superior), instituído na II CRES, realizada em Cartagena de Índias, em 2008, foi defendido no painel. Para os reitores, o espaço deve ser fortalecido e, na opinião do diretor da ADUFRGS e do PROIFES-Federação, Eduardo Rolim, convidado como observador do evento, o Enlaces também deve ser ampliado.

“O painel também reafirmou o fortalecimento do Enlances como espaço de interação entre as universidades da América Latina e Caribe. A ideia é que este espaço seja fortalecido e ampliado com a entrada do movimento sindical, do movimento estudantil e de outros movimentos sociais”, o que refletiria com mais força o público e atores da educação superior no continente.

O PROIFES-Federação levou 28 pessoas para a CRES e participou dos sete eixos de debates e também da reunião que reinaugurou o espaço durante a conferência.

O Enlaces foi concebido para articular a integração dos sistemas educativos do continente, mas nunca conseguiu avançar nos objetivos estratégicos de forma a tornar mais compatíveis os sistemas do continente. Entre os focos estão programas de mobilidade acadêmica de estudantes e professores e reconhecimento mútuo de títulos e diplomas, o que facilita a troca de conhecimento entre os países. A ideia principal debatida durante o painel, é que o conhecimento produzido pelas universidades dialogue com problemas globais da região como violência, pobreza, discriminação, falta de sustentabilidade. Para Tamarit, “a América Latina tem boas pesquisas e trabalhos, mas temos que articular esse trabalho para que funcione como uma solução efetiva para os problemas da sociedade”.

Texto: Manoela Frade – Ascom ADUFRGS-Sindical

Foto: Gustavo Diehl/ UFRGS

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