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APUB15 de julho de 2022

Lei das Cotas trouxe avanços que irritam os racistas e as elites

O futuro do acesso democrático de uma parcela historicamente excluída ao ensino superior está em risco neste ano. No 10º aniversário da Lei das Cotas, há a possibilidade de uma revisão desse importante instrumento no combate ao racismo estrutural e às desigualdades verificadas há séculos no Brasil. Diante da péssima condução do MEC na gestão

APUB SindicatoPublicado em 15 de julho de 2022
Lei das Cotas trouxe avanços que irritam os racistas e as elites

O futuro do acesso democrático de uma parcela historicamente excluída ao ensino superior está em risco neste ano. No 10º aniversário da Lei das Cotas, há a possibilidade de uma revisão desse importante instrumento no combate ao racismo estrutural e às desigualdades verificadas há séculos no Brasil.

Diante da péssima condução do MEC na gestão Jair Bolsonaro, qualquer alteração na legislação pode representar retrocessos em lutas históricas.

O Brasil vinha avançando, até 2016, nas políticas de reparação e de inclusão. Em condições normais, não haveria qualquer risco contra uma política que vem cumprindo de forma bastante eficaz o seu papel.

Mas não estamos vivendo em condições normais. Desde antes da posse de Jair Bolsonaro, as universidades públicas são alvos do bombardeio ideológico e massacrante do governo, que reduz orçamentos e inviabiliza projetos, e não garante condições mínimas para manutenção da infraestrutura dessas instituições.

Se dependesse de Bolsonaro e de seus apoiadores extremistas, a Lei das Cotas estaria com os dias contados.

Bolsonaro não se preocupa com as camadas mais pobres do país. Pouco faz pelos excluídos do sistema, e não tem nenhum compromisso em diminuir o inquietante abismo que deixa a população mais carente e discriminada no Brasil sem oportunidades.

Só para se ter uma ideia, em dez anos, de 2012 a 2022, houve um grande avanço na inclusão de estudantes negros e oriundos da escola pública no ensino superior. Um ganho importante para o desenvolvimento do país e para a redução das desigualdades sociais.

Nesse período, o aumento da presença de estudantes negros foi de 400%. Em 2018, eles se tornaram maioria (50,3%) nas instituições públicas de ensino superior.

O próximo passo seria combater as desigualdades no mercado de trabalho, onde o desnível, infelizmente, permanece. Mas, se depender do governo e de apoiadores radicais com histórico de relações com movimentos supremacistas e neonazistas, nosso país daria muitos passos para trás.

Vencer mitos

Ações afirmativas, como a Lei das Cotas, existem para ser temporárias, já que o objetivo é transformar as mudanças em condições permanentes.

É inegável a sua importância para fazer importantes reparações históricas. Mas o cenário não oferece condições políticas para qualquer revisão. É por isso que ela deve ser prorrogada.

Na sequência, devemos garantir condições para que esses estudantes permaneçam na universidade, evitando que eles tenham que abandonar a vida acadêmica para ajudar no sustento da família ou de si mesmo.

Nos últimos anos, muitas vezes de forma maldosa e criminosa, são perpetuadas informações falsas sobre a Lei das Cotas. Estudos provam que as possíveis fraudes são estatisticamente muito poucas.

Já em termos de desempenho, é comprovado que os alunos cotistas têm rendimento equivalente aos demais estudantes. Atacar a Lei das Cotas, nesse contexto, é uma covardia de quem pretende manter as estruturas de desigualdade que vem se perpetuando no Brasil há séculos.

Quem ataca as cotas tem um deficit de sensibilidade.

Por essas e outras razões, é preciso muito cuidado com qualquer manobra que coloque em risco as conquistas garantidas pela Lei das Cotas. Diante do desmonte do MEC, a educação segue em risco no Brasil. O acesso ao ensino superior é um direito de todos e não pode ser mais visto como privilégio de uma minoria econômica e socialmente privilegiada. É preciso combater toda e qualquer tentativa de retrocesso.

Fonte: APUB

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