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APUB30 de novembro de 2022

Governo Lula enfrentará “herança maldita” de Bolsonaro também na saúde

Após quatro anos de cortes em políticas sociais, tentativas de golpe, privatizações e destruição das instituições de Estado, o fim do governo de Jair Bolsonaro trouxe muitas alegrias para a população, mas também preocupação com a chamada “herança maldita” que deixará para seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Além do rastro de aparelhamento das

APUB SindicatoPublicado em 30 de novembro de 2022
Governo Lula enfrentará “herança maldita” de Bolsonaro também na saúde

Após quatro anos de cortes em políticas sociais, tentativas de golpe, privatizações e destruição das instituições de Estado, o fim do governo de Jair Bolsonaro trouxe muitas alegrias para a população, mas também preocupação com a chamada “herança maldita” que deixará para seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Além do rastro de aparelhamento das instituições públicas e da gigantesca dívida fiscal que herdará (especialmente pelos gastos multibilionários na tentativa fracassada de Bolsonaro tentar garantir sua reeleição), o governo Lula também enfrentará dificuldades grandes na área da saúde.

A desastrosa gestão da pandemia de Covid-19 por Bolsonaro e seus asseclas ainda traz consequências graves à saúde dos brasileiros, situação agravada pelo desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) implementado pelos governos de Temer e Bolsonaro.

Para piorar, cortes orçamentários na pasta foram constantes. Por isso, a luta pela recomposição dessas verbas e investimentos deverá ser uma das prioridades do próximo governo.

Menor orçamento em dez anos

Segundo a proposta de orçamento enviada por Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional no final de agosto, e que será votada em dezembro, os cerca de R$ 150 bilhões destinados à Saúde em 2023 constituem o valor mais baixo nos últimos dez anos, segundo dados do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

A proposta de Bolsonaro representa um corte de R$ 22,7 bilhões em relação ao já combalido orçamento de 2022 – excluídos os gastos relativos à Covid-19.

Como demonstra o CNS, os cortes impactam diretamente políticas de imunização e vacinação, que tiveram diminuição de R$ 5 bilhões, bem como ações de saúde indígena, cujo orçamento foi cortado de R$ 1,4 bilhão para R$ 609 milhões, mostrando a falta de compromisso do atual governo com os povos originários.

Volta da poliomielite

Graças ao negacionismo e à falta de políticas sérias de saúde por parte do governo Bolsonaro, o país vive uma situação difícil também em relação à vacinação de sua população, e não apenas no que diz respeito ao combate à Covid-19.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, o Brasil apresenta “risco muito alto” de reintrodução da poliomielite, doença considerada erradicada em 1994 após massivas campanhas de vacinação.

Em 2021, a imunização contra a doença foi de apenas 67,1%, uma redução de 31,1% em comparação com o ano de 2015, durante o governo Dilma, quando a cobertura foi de 98,29%, segundo o próprio Ministério da Saúde.

É um gigantesco retrocesso, causado por extremistas que não têm nenhum apreço pela vida da população e desprezam a ciência porque lhes convém esvaziar o pensamento crítico da sociedade.

Ao incentivar seus apoiadores a não tomar a vacina contra a Covid-19, Bolsonaro contribuiu para que muitos morressem desnecessariamente e, para piorar, criou um sentimento negacionista que afeta a decisão de pais protegerem seus próprios filhos, como vimos no baixo índice de vacinação contra a poliomielite.

São heranças perversas de um governo que só causou dor e sofrimento no povo brasileiro.

Fonte: APUB

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