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APUB04 de abril de 2018

Em evento na Faculdade de Direito da UFBA, juristas defendem garantia constitucional à presunção da inocência

Aconteceu ontem (03), na sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFBA a mesa “Presunção de Inocência e garantias fundamentais”, uma iniciativa de docentes da unidade em parceria com a Apub. O evento debateu a crescente onda de violações aos direitos Constitucionais e atropelos dos processos penais no âmbito das recentes operações anticorrupção. Participaram

APUB SindicatoPublicado em 04 de abril de 2018
Em evento na Faculdade de Direito da UFBA, juristas defendem garantia constitucional à presunção da inocência

Aconteceu ontem (03), na sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFBA a mesa “Presunção de Inocência e garantias fundamentais”, uma iniciativa de docentes da unidade em parceria com a Apub. O evento debateu a crescente onda de violações aos direitos Constitucionais e atropelos dos processos penais no âmbito das recentes operações anticorrupção.

Participaram Daniel Soeiro, defensor público do Estado e ex-assessor do Ministro do STF Ricardo Lewandowski, a juíza Emília Gondim Teixeira, da Associação de Juízes para a Democracia, o professor de Direito da UFBA e promotor de justiça Elmir Duclerc, o professor e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Joviniano Neto, e o procurador Elder Verçosa da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia. A coordenação ficou a cargo do também professor da Faculdade, Emanuel Lins Freire Vasconcelos.

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Na abertura, o diretor da Faculdade de Direito, professor Júlio Rocha, afirmou ser dever da instituição contribuir para o debate e fazer o resgate histórico de como o poder judiciário se implantou no país e como se deu sua relação com as instâncias de poder. “É uma responsabilidade nossa enquanto Faculdade de Direito abrir esse debate e participar dele”, disse. A presidenta da Apub Luciene Fernandes fez também uma saudação na abertura lembrando que o sindicato está sempre presente nos espaços de luta e de resistência e chamando a atenção para o protagonismo que a Faculdade tem demonstrado ao propor debates sobre temas sensíveis na sociedade.

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A escalada de arbitrariedades cometidas no judiciário foi destacada na fala de Daniel Soeiro que relatou algumas de suas experiências como assessor no STF durante o julgamento do “Mensalão”. Segundo ele, já nessa época se discutiam questões como a prisão em 2ª instância. “Isso não começou com Lula nem vai terminar com ele”, alertou. Já a juíza Emília Teixeira resgatou o texto Constitucional que em seu artigo 5º enuncia: “ninguém será considerado culpado até transito em julgado de sentença penal condenatória”. Ela foi enfática ao afirmar que a compreensão deste trecho “é clara e não exige grandes saltos interpretativos”. Para quem não é da área jurídica, ‘trânsito em julgado’ significa quando não há mais possibilidade de recurso, portanto, somente ao final do processo é que se determina se o réu ou ré é culpado/a ou inocente.

Emília afirma que medidas como a prisão já em 2ª instância esvazia o significado da Constituição e promove um esfacelamento gradual da presunção da inocência ao longo do processo. Embora considere que exista uma difusa sensação de impunidade na sociedade brasileira, ela refletiu ainda sobre o papel do juiz diante da pressão da opinião pública: “a sentença pode e deve contrariar a opinião pública quando necessário for, quando for para defender a Constituição”, disse.

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 Ao retomar a constatação que várias ilegalidades jurídicas vêm sendo cometidas há bastante tempo, o promotor Elmir Duclerc afirmou que já deveria ter havido alguma reação popular. Ele também criticou a declaração do procurador Deltan Dallagnol de que estaria fazendo greve de fome pela prisão do ex-presidente Lula. Além de condenar a parcialidade judicial, ressaltou que o único jejum necessário “é de arbitrariedade, de violência e de punitivismo”. Para Elder Verçosa, mesmo o termo “presunção de inocência” já instaura dúvida sobre a culpabilidade do/a réu/ré e que, portanto, defendia o uso da expressão “estado de inocência”. Para ele o que está em jogo é o modelo de processo penal que queremos; fez ainda uma crítica aos governos progressistas por não terem enfrentado a reforma do judiciário. “Desde sempre neste país o poder punitivo esteve nas mãos da elite. Qualquer governo de esquerda que porventura volte a ocupar o poder no Brasil tem a responsabilidade de reformar o sistema judiciário”. Finalizando o debate, o professor Joviniano Neto lembrou que o autoritarismo judicial é uma das facetas de uma sociedade desigual na qual sempre houve resistência aos Direitos Humanos. “Existe uma presunção de culpabilidade de quem é preto, pobre e mora em favela e é isso que nós temos que enfrentar”.

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