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APUB12 de abril de 2018

Conferência Estadual Popular de Educação do RN discute caminhos para o enfrentamento aos ataques à Educação Pública

Os desafios para o enfrentamento aos ataques à Educação Pública, sobretudo diante da Emenda Constitucional 95, deram o tom das falas durante a abertura da Conferência Estadual Popular de Educação do Rio Grande do Norte, realizada na manhã desta quinta-feira (12), no auditório da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Entidades

APUB SindicatoPublicado em 12 de abril de 2018
Conferência Estadual Popular de Educação do RN discute caminhos para o enfrentamento aos ataques à Educação Pública

Os desafios para o enfrentamento aos ataques à Educação Pública, sobretudo diante da Emenda Constitucional 95, deram o tom das falas durante a abertura da Conferência Estadual Popular de Educação do Rio Grande do Norte, realizada na manhã desta quinta-feira (12), no auditório da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Entidades ligadas à educação, movimentos sociais e sindicais, organizações, pais e alunos das escolas do Estado e a sociedade civil estiveram presentes nesta etapa estadual, que é uma preparação para a Conferência Nacional Popular de Educação (Conape), que acontece nos próximos dias 24, 25  e 26 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Presente à conferência, o presidente do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte, ressalvou o compromisso da Entidade no acompanhamento das discussões e na construção da Conape 2018. “Em um cenário em que o Estado Democrático de Direito é duramente atacado todos os dias, é de extrema importância a manutenção de espaços de resistência como este para garantir a participação popular no debate das políticas públicas de Educação”, pontuou.

Durante a mesa de abertura a Coordenadora do Fórum Estadual de Educação, Sirleide Dias, destacou que a realização das conferências por todo o país se dá em virtude do contexto histórico que estamos vivendo e explicou que esse espaço é uma forma de manter as entidades mobilizadas em torno da defesa do Plano Nacional de Educação (PNE).

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, destacou a importância da realização das conferências por todo o país. “Esse governo golpista simplesmente não quer discutir políticas educacionais com quem executa as políticas. Por isso nós estamos nos mobilizando com a Conape em todo o Brasil. Já temos 24 estados e o Distrito Federal mobilizados em torno dessa discussão, só não conseguimos chegar no Acre e em Roraima”, disse.

Em um discurso emocionado, a reitora da UFRN, Angela Paiva, lamentou a situação de retrocesso pelo qual a educação está passando no país, sobretudo após um período de grandes conquistas nessa área e de expansão das universidades federais. “Louvo a resistência em abrir outros fóruns de discussão e construção legítima para qualificar o projeto de educação que o Brasil precisa”, disse a reitora. “Temos que fazer o debate sobre a Educação que nós queremos ter e a escola que nós precisamos construir para o futuro”, completou.

Após a mesa de abertura, que também contou com o deputado estadual, Fernando Mineiro e com representantes da classe estudantil e de pais de alunos, o regimento interno da Conferência Estadual Popular de Educação do Rio Grande do Norte foi lido e aprovado pela plenária. Em seguida o secretário e diretor de políticas educacionais do PROIFES-Federação, Gil Vicente, e o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, proferiram a palestra: “ Implementar os Planos de Educação é defender   uma Educação Pública de qualidade social, gratuita, laica e emancipadora”.

Durante sua exposição, Gil Vicente, mostrou com base em dados que o direcionamento que o atual governo está dando para as áreas sociais vai inviabilizar não só o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), como também comprometer em breve o funcionamento das instituições federais.

“O governo anterior, que foi usurpado do poder, apostava em um aporte muito importante de recursos da nação para as áreas sociais e isso foi revertido por esse governo golpista, com a aprovação da Emenda Constitucional 95, que obriga o Estado a congelar todos os recursos das áreas sociais, particularmente da educação, pelos próximos vinte anos. Isso inviabiliza o funcionamento das universidades e institutos federais, o que significa que o pagamento de mensalidades em instituições públicas vai ser uma agenda para ser discutida já”, disse Gil Vicente.

Heleno Araújo, lembrou que o orçamento do Ministério da Educação (MEC) em 2017 era de 6,6 bilhões de reais, e que em 2018 baixou para 4,5 bilhões, 32% a menos, contrariando o Plano Nacional de Educação conquistado em 2014, que apontava para mais investimentos em educação. “Isso afeta diretamente os institutos federais e a Educação Básica, pois a União deixa de contribuir mais com estados e municípios e isso veda o acesso de 3,2 milhões de pessoas de 4 a 17 anos que deveriam estar na escola desde 2016 e vão ficar ainda mais longe dela. É preciso barrar essas medidas e mostrar que essa nossa mobilização tem o objetivo de apontar caminhos para atender de fato o direito à educação de todos e todas”, alertou o presidente da CNTE.

O dirigente do PROIFES-Federação ressaltou ainda a importância do papel da sociedade na reversão deste quadro. “Estamos diante de uma realidade muito difícil e nós precisamos reverter não só quem está na presidência, mas também quem está no senado, quem vai ocupar o congresso. É importantíssimo eleger deputados e senadores comprometidos com outro projeto que seja o oposto do que está colocado aí”, afirmou.

A programação da Conferência Estadual Popular de Educação do Rio Grande do Norte segue na tarde de hoje com os debates nos eixos temáticos e a plenária final.

Texto e Fotos: Adurn Sindicato/Reprodução

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