Voltar ao Portal APUB
APUB06 de abril de 2020

Câmara Federal aprova em dois turnos PEC 10/2020 sem a redução de salário de servidores públicos

Na noite desta sexta-feira, 3 de abril, a Câmara Federal aprovou, em primeiro turno por 505 votos a favor e dois votos contra, e em segundo turno por 423 votos favoráveis e um voto contrário, a Proposta de Emenda à Constituição 10 de 2020, também conhecida como “orçamento de guerra”, de autoria do Presidente da

APUB SindicatoPublicado em 06 de abril de 2020
Câmara Federal aprova em dois turnos PEC 10/2020 sem a redução de salário de servidores públicos

Na noite desta sexta-feira, 3 de abril, a Câmara Federal aprovou, em primeiro turno por 505 votos a favor e dois votos contra, e em segundo turno por 423 votos favoráveis e um voto contrário, a Proposta de Emenda à Constituição 10 de 2020,  também conhecida como “orçamento de guerra”, de autoria do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) em conjunto com mais nove deputados de vários partidos.

Duas grandes polêmicas surgiram durante a votação. A primeira foi a proposta do partido Novo, que defendia a redução de salário dos servidores públicos e o fim do Fundo Eleitoral, para que os recursos assim obtidos fossem destinados ao combate ao novo Coronavírus. Os deputados Paulo Ganime (Novo-RJ) e Marcel Van Hattem (Novo-RS) argumentaram que os servidores públicos ganham salários muito altos, e que o Fundo Eleitoral não é necessário. Tais posições foram disputadas pela grande maioria dos partidos em plenário, e com exceção dos deputados do Partido Novo e de deputados do PSL, em especial do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), os demais deputados e deputadas refutaram as emendas propostas, e não permitiram que estas fossem admitidas ao texto da PEC por falta de pertinência temática à votação.

A segunda polêmica foi um destaque proposto pelo PSOL, que defendia a supressão do parágrafo 9 do artigo primeiro da PEC, que permite ao Banco Central comprar títulos privados, para que as empresas tenham recursos para o combate aos efeitos do coronavírus. Este destaque foi derrubado por 390 votos contra e 51 votos a favor, e deste modo a maior parte do texto foi acordada por todos os partidos.

A PEC 10 de 2020 cria assim o chamado “orçamento de guerra”, que permite a separação do orçamento e de gastos realizados para o combate à pandemia de coronavírus do orçamento geral da União. A PEC cria uma exceção, durante o período de duração da pandemia, para que o “orçamento de guerra” não precise respeitar a chamada regra de ouro, que proíbe o governo de fazer dívidas para pagar despesas correntes, como salários, benefícios de aposentadoria e despesas de custeio da máquina pública. Na prática, a PEC permite que o governo possa se endividar em limites superiores impostos pelas regras constitucionais atuais, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, e a própria regra de ouro.

O mais importante para os servidores e servidoras públicos foi que a sua mobilização e luta por seus direitos impediu que fossem causados prejuízos gigantescos aos seus salários, sendo estes servidores e servidoras os mesmos que estão hoje em grande medida defendendo o país no combate ao Coronavírus, em especial os trabalhadores e trabalhadoras das Instituições Federais de Ensino Superior, como frisou o relator da PEC, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

O PROIFES-Federação destaca que a votação da noite da sexta-feira marca uma vitória importante para os servidores e servidoras públicos, que com suas mobilizações presenciais e virtuais barraram a redução de salários proposta pelo Partido Novo e por Eduardo Bolsonaro, que, note-se, também se manifestaram contrariamente à taxação de grandes fortunas para auxiliar no combate à pandemia.

Importante ressaltar que esta votação marca uma nova realidade no Brasil, pois a Câmara Federal agora utiliza a votação remota, por meio de videoconferência, o que faz com que os deputados e deputadas fiquem isentos de qualquer tipo de pressão popular presencial, na medida em que a entrada no prédio da Câmara Federal está proibida, e que os parlamentares, na modalidade de votação remota, votam de suas casas, em suas bases eleitorais, isolados por conta da pandemia. A votação remota é necessária neste período de isolamento compulsório de toda a população brasileira, mas levanta preocupações caso esta modalidade de votação se naturalize após o período de isolamento social imposto pela pandemia, pois ocasionará uma dificuldade enorme dos movimentos sociais em pressionarem parlamentares na Câmara Federal e no Senado Federal.

O texto da PEC 10 de 2020 segue agora para apreciação e votação no Senado Federal, portanto, o PROIFES-Federação ressalta que é importante que os servidores e servidoras mantenham-se atentos, mobilizados e atuantes na defesa de seus direitos.

Compartilhe

Compartilhe esta notícia

Link da publicação
Carregando endereço...
Fale com a APUB